Crítica – Hebe : Estrela do Brasil

Na Rádio Excelsior, ao vivo, Hebe Camargo (Andrea Beltrão) conversa com a atriz Nair Belo (Claudia Missura), sua grande amiga, sobre a perseguição do Serviço de Censura do Governo Federal ao seu programa, por falar sobre sexo e homossexualismo.

Nos corredores escuros da Polícia Federal, o diretor-executivo da TV Bandeirantes, Walter Clark (Danilo Grangheia) é ameaçado pelo agente Joesley Castro de Magalhães (Fernando Eiras), recentemente nomeado pelo novo governo de José Sarney: ou o programa “Hebe” é gravado e aprovado antes de ir para o ar, ou a licença de operação da emissora pode correr riscos.

No camarim do programa, enquanto o grupo porto-riquenho Menudo repete o refrão do hit “No Te Reprimas”, Hebe, maravilhosa, se recusa a ir para o palco sem a companhia do performer Patrício Bisso, travestido como a sexóloga russa Olga Del Volga. Na batalha de vontades e riscos com Clark, essa vitória é dela, mas não por muito tempo. Depois de receber no seu famoso sofá a atriz Dercy Gonçalves (Stella Miranda) em dobradinha com o travesti Roberta Close (Renata Bastos), ao som do grupo Ultraje a Rigor, o cerco da Polícia Federal se fecha. Hebe se recusa a fazer o programa gravado e se demite da emissora no ar, ao vivo.

Em casa, sem trabalho, arrasada, ela conta com o carinho e a presença constante do sobrinho Claudio (Danton Mello) e do filho Marcello (Caio Horowicz), um rapaz tímido, que passa o Natal e comemora o aniversário de 17 anos com a mãe e os empregados da casa. Ignorado pelo pai, Décio (Gabriel Braga Nunes), e tolerado pelo padrasto, Lélio (Marco Ricca), Marcello é tão introspectivo quanto companheiro da mãe, quando ela está por perto.

Quando Claudio confirma o contato de Silvio Santos (Danilo Boaventura), Hebe negocia a volta à televisão no SBT, com autonomia e liberdade para fazer o trabalho “do jeitinho dela”. A estreia do programa na nova emissora é um marco. Deslumbrante, ela entra no palco para receber Roberto Carlos (Felipe Rocha) como principal convidado da noite. O famoso selinho no “rei” desencadeia uma crise de ciúmes violenta em Lélio, e o início de um tumultuado e dolorido processo que a levará a uma separação.

Com 40 anos de profissão, próxima dos 60 anos de vida, o país em crise na transição da ditadura militar para a democracia, Hebe quer o direito de ser ela mesma na frente das câmeras, dona de sua voz e única autora de sua própria história, custe o que custar. Entre o brilho da vida pública e a escuridão da dor privada, ela se torna a mais autêntica e mais querida celebridade da história da nossa TV: uma personagem extraordinária, com dramas comuns a qualquer um de seus milhões de fãs.

Extra para ver depois de assistir o filme:

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Nossa Opinião

É mais do que uma cinebiografia dessa incrível pessoa. O filme retrata uma época que parece mais próxima com a nossa do que se possa imaginar. A ideia de temperamento forte para ela era pouco diante da magnitude do que sua pessoa influenciou nossa cultura e política nacional. Seus momento com o filho demonstravam a sensibilidade que era tão oculta da auto proclamada “…defensora do que tem fome, dos aposentados, daqueles que precisam de mim..” Era uma guerreira, uma vencedora. Tinha seu vícios e defeitos que se tornavam insignificantes diante de tudo aquilo que ela conquistava com o público. Certamente a melhor cartada da vida de Silvio Santos e agora da Warner/Fox/Globo Filmes.  O filme nos deixa a sensação de “queremos mais” no seu término. Andrea Beltrão está impecável com a protagonista. Assusta a perfeição com que ela realiza sua caracterização. Quanto ao público, deveria ser visto por todos. Ela é um ícone que jamais deve ser esquecido.

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