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Confesso: ando com medo no Rio.


medoEu relutei muito para escrever esse post. Escrever no geral, aqui tem sido complicado. Não acho justo passar para ninguém qualquer que seja um conteúdo que “engane” o leitor.

Se você vem aqui para ler (e eu sou muito grato por isso, de verdade), você sabe exatamente com escrevo e o que gosta de ler. Se somente agora eu tomei a decisão de escrever, é porque nesse momento eu consigo elaborar algo livre de uma tristeza e possibilitando até uma análise.

Saí do Rio a quase 18 anos, no auge da violência nas ruas. Camelôs por todos os cantos da cidades, Tráfico de drogas dominado as comunidades e a polícia. Fui assaltado nessa época. Tinha 14 anos. Perdi um par de tênis, daqueles Le Cheval que tinha uma luzinha que ascendia quando você colocava o calcanhar do tênis no chão. Voltei para casa chorando, sem entender o que tinha acontecido.

Não havia armas, somente ameaças de um moleque que era mais alto do que eu (hoje em dia, qualquer um pode ser mais alto do que eu [¬_¬]). Aquele era meu primeiro contato com a violência urbana e não era nem um pouco agradável. Para quem sempre fora criado para um mundo que não existe (doce incoerência de mãe) o impacto foi brutal. Essa ferida se curou, mas deixou sua marca.

Eu me mudei faz um ano e meio para o Rio depois de quase dezoito anos vivendo em Petrópolis (a província, para os íntimos) em que ainda se tem uma enorme qualidade de vida (pelo menos se tinha enquanto vivia lá) em relação ao Rio de Janeiro. Coisas como poder voltar para casa a pé às três da madrugada do centro da cidade até em casa sem medo de nada. Desde que vim para cá, não andei mais de janelas abertas dentro do meu carro. Voltei a ter medo de utilizar do metrô, em função dos últimos incidentes. Ônibus eu não ando.

O sentimento é aquele de dezoito anos atrás. Essa insegurança e medo. Os bens, sim. vão fazer falta, mas podem colocar a minha vida em risco. Vida essa que um Moleque desses que você vê na rua não dá a mínima.

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