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A gastronomia da política e a desmistificação de um Messias

A receita para se construir um país não é encontrada em nenhum livro de história, e muito menos em um de culinária. Entretanto, para uma representação alegórica, a receita é relativamente simples: pegue um território, não precisa ser tão grande quanto o brasileiro; misture com um magote possuidor de culturas brutas e, cuidadosamente, adicione um pouco de patriotismo. Essa ultima etapa é a gosto. É necessário um pouco de conhecimento gastronômico para não criar uma Itália à Mussolini. A segunda parte é a mais divertida: mexer e acompanhar o seu desenvolvimento.

Além de divertida, essa segunda parte é extremamente necessária, pois o patriotismo é uma substância curiosa, capaz de sofrer meiose. Sim! Com perda de cromossomos e tudo! Criando líderes e – por que não? – seguidores tacanhos de ambos os lados da panela (leia-se esquerda e direita).

A escolha de um ‘Chef’ também é muito importante. Não se deve esquecer que ele é quem irá fazer as escolhas importantes para o futuro do seu país – digo – prato. Mas será plausível a existência de um chefe de cozinha totalitário ao ponto de ser chamado de messiânico? É provável que a sua resposta seja não – afinal, o prato é seu. Você deve ter o direito de contrariar quaisquer decisões que, literalmente, cheire mal.

2014 será o ano da grande final do Top Chef*¹ nacional e o vencedor estará encarregado das mexidas na panela pelos próximos quatro anos. É nesse cenário político gastronômico que surge, pleiteando uma vaga para concorrer à presidência, o Messias da extrema direita: Jair Messias Bolsonaro. Segundo o jornalista Arnaldo Jabor, Bolsonaro é a essência do machão parado no tempo e figurinha carimbada do museu da burrice histórica. Palavras muito fortes para um jornalista tão jurássico.

Do lado esquerdo da panela está a atual “Presidenta” da República Federativa do Brasil: Dilma Rousseff. Subversiva nos anos de chumbo, hoje – assim como antes – estampa na testa a palavra “incompetente”. Em outubro, chegará o dia em que o povo brasileiro irá às urnas para decidir, entre candidatos sofríveis, o futuro da nação. Mas, será mesmo que ira mudar alguma coisa? Será que Aécio, Dilma, Eduardo Campos, Bolsonaro e o inesquecível Eymael (aquele da música chatinha*²) serão capazes de mudar os rumos da feijoada brasileira (leia-se história brasileira)?

É inegável que o único candidato que destoa dos demais é Bolsonaro, mas não pelos motivos bons. O capitão do Exército é conhecido nacionalmente pelas inúmeras polêmicas em que se envolveu. Infelizmente, essas polêmicas só serviram de maneira contraproducente para seu objetivo número um: falar a verdade, doa a quem doer. Esses mesmos objetivos que o distanciam de ser até síndico de prédio, que dirá governar o País. Afinal, ninguém dá ouvidos ao vizinho insano, que grita em toda assembleia de condomínio.

Objetivamente, as iminentes eleições carregam, em si, a idealização de um Messias salvador da pátria, que, certamente, ainda não apareceu. Se, para os brasileiros, o capitão Bolsonaro é uma piada, Dilma e Aécio com certeza também o são. O que resta para o povo é votar consciente e esperar o resultado dessa eleição, torcendo que a ordem seja mantida, pois se falhar agora, ao país talvez só reste entrar em uma nova dieta de democracia e seguir mais um regime (militar).

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  • “Top Chef” é um programa norte-americano, onde 16 chefes de cozinha competem, cozinhando, para ganhar o prêmio final.
  • “Ey, Ey, Eymael; Um democrata cristão; Pra presidente é 27, e o nome é Eymael; Pela família e pela nação”.

 

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