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Carta para 2034

8 de dezembro de 2034

Caro Guilherme,

Escrevo-lhe do ano de 2014. Estamos em agosto. Na verdade, eu estou. Em poucas semanas completarei duas décadas de existência. É um tempo relativamente considerável, mas tenho certeza que você, do alto de suas quatro décadas de vida, pensará de forma diferente. Estará você escrevendo para o Guilherme-de-80-anos?

Certamente você ficará espantado com essa carta. Não é muito comum na minha época receber cartas de uma década totalmente diferente. Antes de mais nada, gostaria de contar o que me motivou a escrever essa carta (você lembrará o que é uma carta ainda?). Tenho muita vontade (leia-se: curiosidade mesmo) de saber como você estará com quarenta anos. Eu sei, eu sei. Você provavelmente me dará um sermão por isso. Sabemos como odiamos osspoilers. Mas você não pode me culpar por isso, sempre fomos curiosos.

Gostaria de saber os truques e manhas para me dar bem no meu presente. Claro, é brincadeira. Nós dois sabemos que eu odiaria ser facilitado em algo sem o devido mérito. Sempre escolhemos o caminho mais difícil – não é, camarada? Mas, de novo, você não pode culpar-me por isso, sempre fomos curiosos, entretanto, quando se trata da nossa carreira, sempre fomos perturbados. Você sabe o quanto tememos fracassar… Você ainda tem esse medo?

E a vida amorosa? Alguma candidata conseguirá derreter esse seu coração de gelo? Eu sei, eu sei. Não temos coração de gelo, só não gostamos que as pessoas saibam disso, estou com a razão? Meus pais e o resto da minha família ainda estará ai contigo? Sei que isso mexe muito com a gente. Tenho certeza que qualquer perda seria devastadora para nós. Mas você precisará continuar inabalável, ok? Sei que não pode prometer. Estou cheio de perguntas. Onde estaremos morando? Com o que estaremos trabalhando? Que lugares frequentaremos? Quem serão os nossos amigos? Quem serão os nossos inimigos? Em tempo, pelo que lutaremos?

Essas questões só o tempo se encarregará de me responder. Então para que escrevo a você? Talvez seja pela a ausência de um remetente com respostas – tenho certeza que continuaremos ateístas, por este motivo, não escrevo para um Deus. Embora vivamos em décadas diferentes, sei que posso recorrer a você sempre que precisar. É solitário, eu admito. Sei que combinamos interagir mais com as outras pessoas. Mas, sinto-me desconexo com a realidade delas. Não sei se penso à frente, muito à frente, ou muito atrás de todas elas. Como ainda sou um tanto egocêntrico, gosto de pensar que é à frente. Trate de corrigir isso em seu tempo – ouviu, quarentão?

Não tenho muito mais o que escrever para você. Tenho que admitir que é um tanto sofrido fazer perguntas em que eu não consigo obter as respostas – é o nosso autogolpe do “não consigo”.  Mas, sabe, confio em você. Não é algo que gostamos de escutar, eu sei. O fardo de alguém importante confiar em você só piora a situação. O medo de falhar, fracassar ou errar é muito grande. Ainda mais com tal responsabilidade. Ah, e essa tal de responsabilidade? Sempre fugimos dela porque sabemos que cuidamos da dita cuja como ninguém e isso só faz piorar a nossa Nóia.

Objetivamente, eu gostaria de adiantar o meu feliz aniversário para você. Não é de meu conhecimento ao certo quando essa carta chegará a suas mãos e, por isso, decidi enviar mais cedo. Espero que chegue pelo menos alguns dias antes do seu aniversário, mas peço que entenda que esse correio especial pode atrasar. Não fique bravo, eu fiz todo o possível para prevenir.

Bom, desejo tudo de melhor para você, muitas felicidades e que você consiga atingir todos os seus novos objetivos. Sei que você esperaria uma carta mais engraçada e alegre. Nós sabemos qual é o meu estilo de escrita. Todavia, decidi fazer algo mais emotivo dessa vez. Espero que tenha dado certo – como você sabe, odeio falhar. Mas, como você também sabe, falhas podem e vão acontecer sempre. Mande um abraço para todos por mim, valeu? E um abraço especial para você, da sua versão mais nova.

 

PS: Não se torne um velho chato.

PS2: Cachorros são mais baratos do que filhos.

PS3: Nunca deixe o seu irmão te ganhar no futebol, você tem um histórico a honrar – mesmo que seja diante de seus sobrinhos.

PS4: Ainda não comprei.

Guilherme Mello – com quase duas décadas.

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